domingo, 2 de outubro de 2011

O apanhador de desperdícios - Manoel de Barros

Uso a palavra para compor meus silêncios
Não gosto das palavras
fatigadas de informar,
dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
Eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

Manoel de Barros inventa para as palavras novos relacionamentos, novas formas, novas expressões... não tem intenções didáticas nem moralizantes.
A palavra, como ele diz, ou a linguagem pode ser usada para informar, para formar ou ainda para divertir, emocionar, transformar! PENSE COMO TEM USADO SUAS PALAVRAS! Elas podem fazer viver ou morrer...

4 comentários:

Maíra da Fonseca Ramos disse...

Adoro!!! Também postei essa em meu blog

Maria Fernanda disse...

Estou treinando essa poesia para apresentar em minha escola e estou dando o maior duro mas vai valer a pena todo o esforco.Estou gostando muito.

Maria Fernanda disse...

Estou treinando essa poesia para apresentar em minha escola e estou dando o maior duro mas vai valer a pena todo o esforco.Estou gostando muito.

Maria Fernanda disse...

Estou treinando essa poesia para apresentar em minha escola e estou dando o maior duro mas vai valer a pena todo o esforco.Estou gostando muito.